Saudade pt.II
Quando olhei
para o céu hoje de manhã, com o sol nascendo e colorindo as nuvens de rosa e
laranja dentro daquele azul bem clarinho, me deu uma súbita saudade. Dessas que
apertam o peito, sempre que lembro que não vou te ver no fim de semana, e nem
no próximo e nem no outro. Que vou ter que me virar para encher o tempo, o
espaço e o peito que andam tão vazios. E tentar esvaziar a mente que anda tão
cheia. E me lembro de que, por enquanto, tenho que caminhar sozinho por essa
vida estranha e cruel, e isso me dá um pânico tão grande que nem tu dizendo que
ainda está do meu lado me conforta. Porque, por mais que eu te sinta do meu
lado, é só tua essência que está aqui, cadê teu corpo pra eu encaixar o meu? Se
eu tropeçar na rua não vou mais ter o teu braço para me impedir de cair. Se
gritarem comigo em casa não vou mais ter teu ombro pronto do meu lado pra eu me
confortar e me sentir menos sozinho e miserável. Se eu for mal nas provas, e eu
estou indo muito mal nas provas, não vou ter o teu abraço imediato me acalmando
e me dizendo que vai ficar tudo bem, porque sempre fica tudo bem. Quando eu
ficar puto de raiva por tudo que me deixa puto de raiva, não vai ter sua voz
mansa me dizendo pra eu relaxar e deixar de ser tão estressado.
Tu és minha
droga boa que me entorpece e me traz calma.

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