quinta-feira, 28 de junho de 2012

Caminho



Eu queria só um abraço apertado no final do dia. Um colo confortável e consolador. Queria que as coisas voltassem a fazer sentido pra mim...Mas será que um dia fizeram? Um sorriso sem fim. Um caminho ensolarado, com canto de pássaros e a pureza do ar. Dançar conforme a música que toca na minha cabeça, sem me importar com quem está olhando. Te alcançar no final do túnel que sempre parece estar tão longe, mas tão longe, que nem parece que um dia eu vou chegar...Acontece que os dias vão ficando pequenos diante das coisas. Tanta coisa pra fazer, pra pensar, pra sentir...Respirar começou a ficar difícil. Existir também. Caminhar sozinho, com a mente cheia de pensamentos e ideias está cada vez mais difícil. Tenho que compartilhar o fardo com alguém. Mas não posso. Sei que não posso. Eu tenho que me virar sozinho, aguentando o peso ou não. Querendo desistir ou não. Ninguém deve se meter. Eu tenho que fazer o que tem que ser feito sozinho.

E eu vou caminhando, com as mãos nos bolsos, o peso nas costas e o cansaço no olhar. Sem dias ensolarados ou pássaros, mas com a certeza de que por pior que seja o caminho, um dia eu chego ao final dele. E então tudo terá valido a pena.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Cinza



Tem dia que acordamos sem a menor vontade de sair da cama. A única vontade é a de fazer nada. Ficar ali deitado olhando pro teto, tentando apagar qualquer pensamento que venha quebrando barreiras na nossa mente. O ânimo vai se enfiando debaixo das cobertas, até que pula pra debaixo da cama e ficamos sem saber o que fazer pra tirar o infeliz de lá...E a vida vai passando lá fora. Com seus sons, seus cheiros, suas cores. Batendo na porta, janela, gritando teu nome, te fazendo lembrar que ela existe e não vai parar enquanto tu não se levantar e dar atenção a ela. Ela continua passando...no fundo, tu sabes que ignorá-la será pior, pois quanto mais tu a ignora, mais ela aparece, mais te questiona, e menos tu quer discutir com ela. E tu se arrasta da cama, tenta se animar com pequenas coisas que ainda lhe fazem efeito. Como um cachorro pedindo carinho, um filme interessante ou um livro bem falado. Coisas que normalmente lhe fariam sorrir novamente. Mas que por algum motivo não causam o menor efeito de vez em quando. E tu continua querendo não sair da cama. Por nada. Por ninguém...

domingo, 24 de junho de 2012

Saudade



Saudade...saudade é uma palavra que não existe, já que quando a lemos, involuntariamente, pensamos em alguém. Saudade tem nome, e na nossa cabeça, esse nome se torna sinônimo de saudade...

Eu caminhava sozinho por essa vida por um bom tempo quando tu apareceu. Surgiu assim, meio do nada, e entrou na minha vida por culpa de uma data errada e uma brincadeira fora de hora. As noites mudaram desde então. Com minha presença abusada e meu jeito agressivo de fazer brincadeiras bobas. E tu foi caindo na minha lábia para logo depois cair nos meus braços. E foram tantas palavras, ditas, escritas, sussurradas, jogadas ao vento... E foi com a rapidez de um relâmpago que me vi preso a ti de uma maneira que há muito, mas muito tempo mesmo não tinha me visto. E deu medo, alegria, tesão, tristeza... Deu tanta coisa junto e misturado em um espaço de tempo tão pequeno que só sobrou amor. Só ficou um amor grande o suficiente para fazer eu me perder em pequenas coisas sem nem notar. E me entristece pensar que talvez tenha te perdido sem nunca ter tido tu de verdade. Me falta o chão, o ar, o norte. E o mundo parece ter ficado de cabeça para baixo, todo fodido...Bateu saudade. Dirigindo à noite, a chuva batendo no vidro, o limpador fazendo sua dança na frente dos meus olhos, Los Hermanos melodiando no rádio, e o coração apertando de saudade. O corpo ansiando por um abraço apertado e verdadeiro, um colo, um cafuné, um par de pés a mais na cama para esquentar os meus dois gelados...Voltando daquela balada com os amigos, a felicidade exposta num sorriso e muitos brindes. Festa, música, álcool e...a sua ausência. Sempre com a sensação que falta alguma coisa. A sensação de que o que passou foi melhor do que tudo o que está acontecendo no momento. Aquela sensação que o 'à dois' é melhor do que o 'em grupo'. Sentindo falta dos dois beijinhos que me dava quando vinha me cumprimentar, me fazendo ficar perdido. Da risada retumbante que anunciava sua chegada aonde quer que estivesse. Do jeito que prendia o cabelo e a cara que fazia. De ficar ouvindo ela falar das coisas com tanta prioridade. Da sua humildade apesar de tudo. Do bom humor, do carinho e da troca de sms na madrugada. PUTA QUE PARIU, eu te quero de volta. Quero voltar a esperar nossos encontros como se fosse algo sagrado. Quero de novo a paz que encontro nos teus abraços apertados e na tua mão que sempre ia direto nas minhas entradas do abdômen. Quero te beijar enquanto andamos, esquecer de olhar pra baixo e dar aquela tropeçada, nos fazendo chorar de rir. Quero brincar com a tua orelha. Quero voltar a te apresentar as bandas estranhas que eu ouço. Quero cantar no teu ouvido nossa música que não importe quanto tempo passe sempre será nossa. Quero de novo a liberdade de assuntos que sempre acabam em discussões bobas e incompatibilidade de opiniões. Quero voltar a fazer planos para o futuro sem me preocupar com quanto tempo eles vão demorar para chegar. Quero voltar a ouvir milhões de vezes ao dia que tu me amas e quanto tu me amas. Quero que seja como foi no começo, sem desânimos, sem decepções, sem esperanças partidas. Certas pessoas simplesmente deveriam permanecer pra sempre do nosso lado, mas como tudo um dia acaba, ela também se foi. E eu fiquei aqui, com o vazio, com a tristeza e com a saudade. A sensação que eu tenho é que tiraram um pedaço de mim e levaram para bem longe, onde eu não posso alcançar e eu tenho que me acostumar a viver assim, mesmo que me dê falta de ar, mesmo que eu não consiga mais me reerguer, eu tenho que continuar seguindo...Sei que não sou o único a sentir saudade. Sei que ela vai olhar o calendário, olhar aquela data tentando descobrir o que a lembra e depois de algum esforço ela vai se lembrar de mim. Vão durar alguns segundos, ela vai sentir uma leve dor de saudade no fundo do peito, respirar fundo, limpar aquela lágrima que vai surgir no canto do olho e continuar seu dia, sem mais delongas.

Saudade é assim, sorriso no rosto, e o coração apertado...

terça-feira, 19 de junho de 2012

Consequências




Me mata ver pessoas que amam por moda. 'Eu te amo' virou merda. Fui seguir esse moda e me fodi. Tô tomando esse whisky sozinho porque menti. Menti que te amo. Nunca amei, era só tesão. E tu não soube brincar. Não ouviu Cazuza em menor abandonado 'Mentiras sinceras me interessam'. Menti. Depois disso, nem eu me amo. Fui ridículo. E te perdi. Tu me mandou embora. Sem dó...Não vale a pena mentir. Agora me deparo com a solidão. Aliás, solidão não. Convivo com a minha consciência pesada em despertar o amor de uma mulher e não satisfazê-la sentimentalmente. Carnalmente não é suficiente. Mulheres precisam de satisfação visual, auditiva, olfativa e gustativa. Gurizada, onde vocês imaginam que elas abrigam as melhores lembranças? Sim, nas flores que trazemos a cada encontro, ou no sorriso ao vê-la. Naquele nosso perfume favorito. Naquela música que tocava durante a primeira noite, ou naquelas palavras que dissemos no primeiro encontro. E no principal, no gosto do nosso beijo, do nosso sexo. Enfim...A solidão nunca está sozinha, agora ela me tem. E eu a tenho. As coisas desmoronam-se à minha volta como torrões de areia, por falta de cuidado meu. O que é realmente importante mistura-se com o que é supérfluo, mas tudo rui. Sem piedade, o mundo está a julgar-me pelos meus atos, cruamente, violentamente. E eu já não consigo reagir de outra forma que não passivamente. Como o enforcado que já sente o nó a forçar a traqueia, mas insiste em olhar uma vez mais o horizonte e pensar em outra coisa. Só quero pensar em outra coisa. Ver o mundo a ruir à minha volta, mas pensar em outra coisa. Ver os gritos, ver a raiva que eu tenho de mim da mesma forma que vejo o desprezo, a indiferença, as pessoas feridas por mim, os olhos baixos. Olhar tudo com o mesmo olhar perdido em outra coisa. Não encontro força em mim para outra reação que não esta. Cansei de dançar com a solidão. Estou finalmente exausto. Cade tu? Vamos conversar...

domingo, 17 de junho de 2012

Posso?





Posso dormir contigo? Quero sentir tu perto de novo. Abre a porta que eu tô aqui fora tomando chuva. Vai, deixa eu ficar, puxa o lençol pra mim. Tu sabes que não há encaixe como o nosso. Deixa eu passar a mão no teu rosto antes de dormires. Tô com saudade do teu carinho. Posso? Sei que tu ficas toda arrepiada quando sentes minha respiração no teu ouvido. E que finges que tá dormindo só pra ver se eu, realmente, fico acordado te olhando dormir. E fico. Todo bobo. Deixarei a chave do carro ali e tô subindo, tá? Sei que tu gostas quando enfio minhas mãos no meio dos cabelos. E que ficas com os olhos pesados querendo dormir, igual criança cansada. Deixa eu olhar de novo essa tua cara de sono. Eu quero ter meu braço na tua cintura essa noite. Posso ficar? Sei que tu não tá bem. Tem tido sonhos ruins. Deixa eu te proteger durante a madrugada? Tu precisas de mim. Queres dormir com a tua mão na minha. E que o timbre da minha voz te acalma. A gente pode ver um filme antes, pode ser aquele meloso que eu dormi da outra vez. E podemos dormir ouvindo Beatles...Posso escrever um texto pra ti. Ou se preferires, podemos fazer as estrelas se esconderem de vergonha. A lua parar de brilhar. E ali, na escuridão, fazermos coisas que nem a mente consegue imaginar. Apenas me deixe dormir contigo, posso? Deixa eu te esquentar. Trançar minhas pernas nas tuas, quase dando um nó. E o melhor, acordar. Prometo estar ali do teu lado sorrindo. Te olhando com o cabelo todo bagunçado. Aquela cara inchada sem maquiagem. Te calar com um beijo ao reclamar que tá feia. Posso dormir contigo? Só essa noite, amanhã vou embora...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Fugir





Aceite viver comigo. Quero te levar pra longe. Vamos fugir da vida urbana. Prum vilarejo no Equador, onde viveremos em anacronismo. Sem internet, sem celular, sem televisão e essa porra toda. Quero que nossa casa seja esse mundão. E que quando cansássemos da vista, pegássemos nosso mochilão e saíssemos a procura de uma casa nova. No meio do mato que seja, foda-se, o que importa é que eu te tenho e tu me tens. Quero que a brisa passe e me traga o cheiro do teu cabelo ao invés de toda poluição da cidade. Que os momentos sejam compartilhados. E um sorriso gostoso valorizado. Quero que o som do meu violão e da natureza sejam mais altos que as buzinas dos carros. Que tenhas prazer em receber as flores que fui colhendo escondido pelo caminho e não por ganhar uma bolsa cara. Que nosso sexo seja no meio das árvores - minha fantasia - e em cima de montanhas. Que tenhamos pouco dinheiro e muito amor. Muito amor. Amor em cima dum cavalo ou num volvo. No caviar ou no pão com ovo. Que o nosso amor seja o mesmo em qualquer lugar...Deixa tudo arrumado e me espera. Vou te pegar na tua casa e te levar comigo pra longe. Me espera na janela porque o mundão tá esperando tu e eu. Vamos construir nossa felicidade e levar numa mochila. Vamos andar por aí com nossos pés descalços, perto de casa ou longe do mundo, onde só nós dois possamos estar. Contando histórias das quais já vivemos e prevendo situações pelas quais vamos passar. Andando de bicicleta, carona, correndo, ou quem sabe até voando... Não importa a maneira. Queremos mesmo é esquecer dos problemas, ver o tempo passar dando gargalhadas, deitar na grama com os pés apontados para o céu, trazer à lembrança as besteiras de criança, fumar cigarros de palha e nos sentir o melhor casal do mundo. Foge comigo? Pra quê dinheiro? Temos amor, temos sexo e o mundão nas nossas mãos.

O BOM DA VIDA É DE GRAÇA!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Sinestesia




Preciso de ti. Perto, longe, tanto faz. Mas quero encurtar distâncias, de longe não dá mais. Preciso te olhar. A ponto de sair à janela todos os dias às 6 pra lhe ver passar, do alto do meu prédio, assim de longe, mas o coração não liga. De perto, longe, tanto faz, só preciso ver aquele teu cabelo lindo lá de cima. Aquelas curvas todas, e confesso...te imagino nua, escalando a cama em minha direção. Te olhar de longe me satisfaz, satisfaz meu olhar. Te olhar simula a incansável busca de minha existência. Antes diria que só te olhar lá de cima é suficiente, mas quero mais...!

Preciso de ti. Preciso do teu cheiro. Teu cheiro no ar. De longe não dá. Eu cheiro a brisa, eu cheiro o ar, cheiro teu cheiro, até sinto teu cheiro vir a mim, aconchegar. Doce e suave, forte e ameno, suado e molhado. Mas sem sombra de dúvida...teu cheiro no ar. Talvez, sentir teu cheiro de perto será um erro, e agora eu só tenho medo, de te querer ainda mais.

Preciso de ti. Preciso te ouvir. Tua voz falando amorosa nos meus ouvidos. Voz tão meiga que desata o nó de qualquer coração amarrado pelas mágoas. Preciso te ouvir, nem que seja um 'bom dia' ou 'que horas são?'. Quero encontrar na tua voz melodia nunca encontrada na música. Palavras sussurradas que arrepiam meus pêlos e que entram pelos ouvidos jogando fermento no tesão, fazendo crescer, crescer e crescer. De repente silêncio, do tesão à agonia em segundos, esperando de novo ser agredido pela tua voz. Quero te ouvir!

Preciso de ti. Preciso te tocar. Queria poder te tocar, te abraçar, mas a única coisa que posso é te ver. Te ver lá de cima, do sexto andar. Querer te tocar é como entrar num museu e se deparar com uma tela, escultura, cerâmica, e enxergar o aviso 'Não tocar'. Não toco, não posso, então respeito. Mas e a vontade? Vontade de deixar minhas digitais impressas, sentir a textura e arranhar a tela com meus dedos imundos. Assim é exatamente entre tu e eu. Quando puder te tocar, teus lábios puder beijar. Há de ser uma magia louca, sentir nossos corpos unidos em calafrios, pelas mãos arteiras e atrevidas que deslizam, provocando gemidos. União de corpos, almas e bocas. Dum frenesi a ânsia louca. No chão todas as roupas. E no ápice da resistência, penetrar toda minha ardência, invadindo-te, possuindo-te. E a sede de duas almas, cada vez mais ávidas, buscará a saciedade latente, na união de dois corpos ardentes.

Preciso de ti. Preciso sentir teu gosto. Prová-lo em silêncio, como quem bebe o luar no proibido da noite. Vontade de acordar com a boca vazia, salivando desejos, querendo teu beijo e poder saciar essa vontade louca. Colar minha boca em cada parte do teu corpo e degustar lentamente, aquele gosto de entrega, mergulhar cegamente nestas tuas águas cristalinas e beber desse néctar. Quero provar teu veneno e morrer devagar!

E aí eu paro pra pensar que nunca te tive, mas que já pensei em tudo. Assim como eu nunca parei para pensar que mesmo longe, você esteve aqui o tempo todo.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Morte




Depois de ti, morri. Morri por dentro, sou carne e osso. É como se em nossa última noite, eu tivesse gozado minha alma. É como se em cada beijo, em cada troca de saliva, eu tivesse meus sentimentos, de pouco em pouco, por ti roubados. É como se naquele nosso jogo de pernas, eu tivesse perdido o chão. Ando procurando aquelas borboletas que antes habitavam meu estômago, mas só encontro sanguessugas que chupam minha lucidez. Ei, olhe aquele homem sozinho esperando o trem, viu? Sou eu, esperando por mim. Esperando por algo mais. Eu te deixei, mas quem se fodeu, fui eu!


Depois de ti, o sexo virou jogo de azar, nenhuma mulher mais me satisfaz. Há como alguém vivo dizer que 'foi vítima de necrofilia'? Pois é, sou apenas um corpo frio e sem vida em contato com outro quente e cheio de tesão, como um ferreiro que coloca sua obra prima pra esfriar, contraste. Estou com problemas, toda mulher que levo pra cama, te enxergo. Até consigo enxergar aquela tatuagem que tens no braço, teu cabelão sendo puxado pelas minhas mãos e tua boca entreaberta, anunciando o tesão. Sinto saudades...porém há um problema, o orgulho. Estou aguardando um guia que viesse e me tomasse pela mão e me levasse até tu, que de braços abertos me receberia.


Agora somos dois estranhos. Sim, um erro fatal cometido, o único! Que vem me conduzindo à lugares desconhecidos, diferentes sentimentos e sons. Amor que era especial pra mim, e que agora se tornou obsessão. Estou sozinho, ardendo de febre. Por que o quarto está tão frio? Sou eu do meu lado, e tu do teu, posso viver do teu lado e abandonar o meu.