Preciso de ti. Perto, longe, tanto faz. Mas quero encurtar distâncias, de longe não dá mais. Preciso te olhar. A ponto de sair à janela todos os dias às 6 pra lhe ver passar, do alto do meu prédio, assim de longe, mas o coração não liga. De perto, longe, tanto faz, só preciso ver aquele teu cabelo lindo lá de cima. Aquelas curvas todas, e confesso...te imagino nua, escalando a cama em minha direção. Te olhar de longe me satisfaz, satisfaz meu olhar. Te olhar simula a incansável busca de minha existência. Antes diria que só te olhar lá de cima é suficiente, mas quero mais...!
Preciso de ti. Preciso do teu cheiro. Teu cheiro no ar. De longe não dá. Eu cheiro a brisa, eu cheiro o ar, cheiro teu cheiro, até sinto teu cheiro vir a mim, aconchegar. Doce e suave, forte e ameno, suado e molhado. Mas sem sombra de dúvida...teu cheiro no ar. Talvez, sentir teu cheiro de perto será um erro, e agora eu só tenho medo, de te querer ainda mais.
Preciso de ti. Preciso te ouvir. Tua voz falando amorosa nos meus ouvidos. Voz tão meiga que desata o nó de qualquer coração amarrado pelas mágoas. Preciso te ouvir, nem que seja um 'bom dia' ou 'que horas são?'. Quero encontrar na tua voz melodia nunca encontrada na música. Palavras sussurradas que arrepiam meus pêlos e que entram pelos ouvidos jogando fermento no tesão, fazendo crescer, crescer e crescer. De repente silêncio, do tesão à agonia em segundos, esperando de novo ser agredido pela tua voz. Quero te ouvir!
Preciso de ti. Preciso te tocar. Queria poder te tocar, te abraçar, mas a única coisa que posso é te ver. Te ver lá de cima, do sexto andar. Querer te tocar é como entrar num museu e se deparar com uma tela, escultura, cerâmica, e enxergar o aviso 'Não tocar'. Não toco, não posso, então respeito. Mas e a vontade? Vontade de deixar minhas digitais impressas, sentir a textura e arranhar a tela com meus dedos imundos. Assim é exatamente entre tu e eu. Quando puder te tocar, teus lábios puder beijar. Há de ser uma magia louca, sentir nossos corpos unidos em calafrios, pelas mãos arteiras e atrevidas que deslizam, provocando gemidos. União de corpos, almas e bocas. Dum frenesi a ânsia louca. No chão todas as roupas. E no ápice da resistência, penetrar toda minha ardência, invadindo-te, possuindo-te. E a sede de duas almas, cada vez mais ávidas, buscará a saciedade latente, na união de dois corpos ardentes.
Preciso de ti. Preciso sentir teu gosto. Prová-lo em silêncio, como quem bebe o luar no proibido da noite. Vontade de acordar com a boca vazia, salivando desejos, querendo teu beijo e poder saciar essa vontade louca. Colar minha boca em cada parte do teu corpo e degustar lentamente, aquele gosto de entrega, mergulhar cegamente nestas tuas águas cristalinas e beber desse néctar. Quero provar teu veneno e morrer devagar!
E aí eu paro pra pensar que nunca te tive, mas que já pensei em tudo. Assim como eu nunca parei para pensar que mesmo longe, você esteve aqui o tempo todo.