quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Solidão


Eu demorei a entender. Demorei tanto para perceber o óbvio. Para notar que eu sempre estive sozinho. E que o mais foda não é se sentir sozinho estando sem ninguém. O pior é perceber que se estava sozinho junto com alguém. Junto com todas as pessoas. Sozinho junto é muito mais doloroso do que sozinho separado. Porque você imagina que deveria ter alguém ali, do lado te entendendo, te dando força. Uma namorada, um amigo, ou até os pais. Mas na verdade tu notas que só tu que entende, só tu quem dá força. E eu olho em volta e é como se aquilo tudo que todo mundo vive, não é para mim. Aquilo de mãos dadas, e compreensão, e anos de cumplicidade, simplesmente não é para ser meu. Simples assim. E eu vou afundando no meu mundo de álcool, e músicas e cigarros... E vou me distraindo com o que tem para hoje. Um bar ali, um livro acolá, uma lambida do cachorro. E tudo isso deveria ser suficiente. Deveria preencher esse vazio enorme que parece não ter fim. Mas não preenche. E o buraco vai ficando cada vez maior e mais profundo e deprimente. E não há álcool, músicas e cigarros que dê jeito. Nem a lambida do cachorro. E eu tenho que conviver com o vazio, com as pessoas felizes ao meu redor que parece que conseguiram tudo aquilo que eu não consegui. E sempre tem alguém para me dizer que tudo vai ficar bem, que tudo vai dar certo, que é assim mesmo, mas tudo passa, não se preocupe... E eu não quero mais ouvir nada. Não quero mais consolos vazios. Frases pré-fabricadas para pessoas que não sabem lidar com esse mar de solidão como eu. Não quero mais escutar conselhos que eu tento seguir desde sempre e que nunca me deram nada de volta. Talvez seja melhor guardar meus lamentos para mim mesmo. Blindar meu coração do mundo. Toda manhã gritar ‘Tô blindando meu coração’ pra ver se alguém sente falta ou que fale ‘Opa, espera aí, me deixa entrar’. Minha vida deslocada, sempre tão deslocada e sem rumo. Sempre parecendo tão decidido e objetivo, mas no fundo completamente perdido de frustrado. E eu penso, penso tanto em tantas coisas, que parece que a minha cabeça vai explodir de tantas ideias. E eu já não sei mais o que fazer. Já não sei mais a quem ou a o que recorrer. O vazio está levando tudo, como um buraco negro que varre tudo para dentro dele e não há nada que se possa fazer. Só esperar. Esperar que um dia tudo passe de verdade. E as coisas comecem a fazer o mínimo de sentido.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Nostalgia



Ainda sinto o gosto do teu beijo, do nosso tempo cheio de planos e promessas. Tu ias à minha casa todo dia depois da faculdade, ficávamos ouvindo a chuva caindo lá fora. Olhando de relance a novela e vendo o guri bonitinho apaixonado pela guria bonitinha, tu me olhavas com um sorrisinho de canto de boca e eu respondia com outro, como se disséssemos 'Olha nós'. Muito bregas. Mas amor é brega, certo? Amar, falar aquelas besteiras, achar que o mundo gira em torno de alguém é extremamente brega. Planejávamos aquela viagem pra Paris, lembra? Deitávamos naquele jardim, debaixo da macieira, e ali pensávamos no que íamos fazer ao terminar faculdade, porque o combinado era tu e eu pra sempre, não era?
Eu não sei se ainda sinto aquilo que acho que sinto. Caminho naquele parque pensando em ti e nas tantas vezes que passeamos de mãos dadas por ali. Já tinham se passado tantos anos, tantas outras vieram no teu lugar, mas nenhuma ocupou em meu peito o espaço que tu ocupaste. E aquilo me incomoda. Aquela sensação que não esquecerei jamais. Que tinha vivido o grande amor de minha vida, mas tinha te deixado passar. Escorrer por entre os dedos como a areia de um grande deserto. Tento em vão não pensar. Sinto fome, medo, angústia, tudo junto e misturado e achava que a qualquer momento eu desapareceria do mundo. Se não prestasse atenção, no próximo passo eu iria evaporar. E isso não podia acontecer. Não posso te esquecer. Nem deixar passar.
Existem as lembranças boas, as lembranças ruins e as lembranças boas que viram lembranças ruins. As lembranças boas a gente guarda no fundo do coração para usar sempre que precisar. As lembranças ruins a gente joga fora junto com os sentimentos que elas trouxeram. E para as lembranças boas que viraram lembranças ruins, a gente substitui essas lembranças por lembranças novas, com pessoas novas e sentimentos novos. Mas que lembranças novas? Que pessoas novas? Que sentimentos novos? Sou só saudades. Não existe mais ninguém. Nem a guria bonitinha nem a feinha. Nada. Só a chuva, o vento e um enorme vazio.

domingo, 29 de julho de 2012

Mesa de bar: 1ª dica aos homens



Resolvi criar uma série nesse blog, onde abordarei e compartilharei sobre o que aprendi nesse mundão em relação à mulheres/relacionamentos, pouco, mas dá pro gasto hahaha...

Antes eu diria: te compro uma cerveja, e quero de brinde o teu coração! Alguém do outro lado da linha iria sorrir. Hoje em dia é preciso um pouco mais de destilado e menos fermentado pra segurar certas coisas, no entanto.

Agora, só levo embora quando apareço com um sorriso largo, uma vodka e um poema de Drummond, serve decorado, juram que não tem problema! depois dos 20 elas reconhecem nossa técnica, parceiros, e não tem problema se esquecer o último parágrafo ou gaguejar! Contanto que saibamos refletir acerca da vida sem demonstrar auto suficiência demais, e encarar alguns filmes do Woody Allen sem falar que é pseudo intelectual ou Cult. babaca. Isso ofende qualquer moça que goste de flores. E são muitas, aliás...

Teremos que andar na chuva e dispor os braços para cobertor, poucas coisas são tão verdadeiras quanto acordar com um braço cheio de câimbras e a pessoa que se ama ao lado. E ah! Claro, nem todas são iguais, hein?

Vejam só, parceiros, não existe astrologia confiável pro tal do príncipe encantado, não adianta ficar lendo e querendo copiar trejeitos de príncipe, às vezes ocorre tudo ao contrário, ela quer um maloqueiro! Tem guria que recebe flores, uma mensagem depois da ressaca moral da balada passada e não dá a mínima, já outras ficam a noite toda em claro esperando. O negócio é ser nós mesmos, colocar um currículo na testa. Por exemplo, o meu currículo: 'Maluca, rockeira cachaceira que imagine todas aquelas vitrolas tocando Chico, Caetano e Rock 'n Roll do bom.' Alguma hora aparece alguém que se identifique com os requisitos...Pode demorar, né? Coração não é tão simples quanto imaginamos.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Saudade pt.II




Quando olhei para o céu hoje de manhã, com o sol nascendo e colorindo as nuvens de rosa e laranja dentro daquele azul bem clarinho, me deu uma súbita saudade. Dessas que apertam o peito, sempre que lembro que não vou te ver no fim de semana, e nem no próximo e nem no outro. Que vou ter que me virar para encher o tempo, o espaço e o peito que andam tão vazios. E tentar esvaziar a mente que anda tão cheia. E me lembro de que, por enquanto, tenho que caminhar sozinho por essa vida estranha e cruel, e isso me dá um pânico tão grande que nem tu dizendo que ainda está do meu lado me conforta. Porque, por mais que eu te sinta do meu lado, é só tua essência que está aqui, cadê teu corpo pra eu encaixar o meu? Se eu tropeçar na rua não vou mais ter o teu braço para me impedir de cair. Se gritarem comigo em casa não vou mais ter teu ombro pronto do meu lado pra eu me confortar e me sentir menos sozinho e miserável. Se eu for mal nas provas, e eu estou indo muito mal nas provas, não vou ter o teu abraço imediato me acalmando e me dizendo que vai ficar tudo bem, porque sempre fica tudo bem. Quando eu ficar puto de raiva por tudo que me deixa puto de raiva, não vai ter sua voz mansa me dizendo pra eu relaxar e deixar de ser tão estressado.

Tu és minha droga boa que me entorpece e me traz calma.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O que fazer?


O que tu faz quando um pensamento lhe traz uma tristeza absurda? Quando mesmo pensando em coisas que em outra ocasião lhe faria feliz, não te animam nem um pouquinho? Quando todos os dias, sem exceção, tem cara de domingo à noite? Quando tu fazes tuas coisas sem pensar, bota a porra toda no piloto automático de tão acostumado que está em sentir nenhum prazer na vida? Quando tu pensas em todas as coisas diferentes que poderia fazer para se distrair, mas nenhuma delas te atrai? Quando tu não tens vontade de ver ninguém, nem falar com ninguém, mas ficar sozinho no canto de um bar bebendo com a angústia? Quando beber e dormir já não são suficientes pra esquecer os tormentos da vida real? Quando tu começas a fazer uma lista de todos os países que tu gostaria de tentar uma vida nova, mas sabe que é à toa, porque jamais teria coragem para tal e mesmo assim se sente um lixo porque nem pra isso tu tens coragem?

O que tu faz quando todos os dias ficam iguais, sem gosto, sem cheiro, sem nada?
O que se pode fazer?...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Petrificação de Alma


Parei pra pensar sobre o que mudou com o passar dos anos...Não sinto mais tanta poesia, nem tanta fé nas pessoas como um dia já senti. Algo me joga de um lado pro outro, como em um furacão. Tento me interessar mais nas coisas. Um pôr do sol, uma mensagem inesperada, um cheiro que traga lembranças...Tento fazer das coisas reais um pouco fantasiosas pra não me perder de vez. Tudo que pode tornar essa vida cheia de coisas um pouco mais sútil. Um pouco mais fácil de se levar. Me esforço em sentir com todas as forças tudo o que vem quando toca uma música bonita ou quando leio uma história que poderia ter sido minha, mas vejo cada vez mais as coisas se tornando realistas demais, práticas e chatas demais, sem tempo para o que poderia ser belo e simples, achando falta de tempo ler um texto que poderia ter sido muito foda em outra ocasião, achando que todas histórias de amor, todas as palavras de saudade não passam de besteira, porque no final nada disso dura de verdade. Tenho me tornado uma pessoa cética, e isso me assusta. Ando encontrando no álcool algo que procuro nas pessoas. Parece que o coração que diziam ser de pedra, realmente é. E como dizem, levantei um muro alto demais e não sei se terei coragem de destruí-lo. Parece tão mais seguro do jeito que está. Mas de que adianta uma vida de álcool, números, bens materiais? De que adianta continuar assim? Afinal, qual o melhor caminho a seguir? Ser feliz, já não creio, só peço um pouco de paz.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Noite


Dia de lua cheia. A lua brilhava lá no alto. Prateada e doce como devia ser. Dava pra ver pela janela entreaberta que seu brilho se esforçava para entrar no quarto e iluminar teu lado da cama, vazio, habitado pelas cobertas. Tentei em vão adormecer. A lua lá em cima me chamava pra mais perto dela. Charmosa. Me encantava com toda sua grandiosidade. Mesmo querendo que a terra desse um jeito de se aproximar mais da lua, como mágica...Desejei que tudo aquilo fosse sempre daquele jeito. Que sempre houvesse uma lua como aquela preu fumar meu último cigarro do dia a olhando, que aquela paz não acabasse nunca e principalmente que tu sempre tivesses os mais lindos sonhos, mesmo dormindo longe de mim.

(Se vocês não viram a lua ainda, os aconselho)

domingo, 1 de julho de 2012

Esse tal de amor


É fácil estar ao seu lado, sabia? Sentir teu abraço caloroso e cheio de saudade que me tira os pés do chão. Dormir ao teu lado sentindo tu toda arrepiada com minha respiração no teu ouvido. Rir do teu sotaque tão diferente do meu. Olhar teus olhos enchendo d'água depois de lhe beijar a testa. Ouvir tu tagarelando sobre um milhão de coisas ao mesmo tempo e tentando organizar ideias junto ao teu raciocínio rápido e estabanado. Coisas tão simples mas tão intensas. Coisas que passariam despercebidas. Pequenas coisas que vão se entrelaçando, traduzindo e transformando o convívio entre duas pessoas em relacionamento. Um relacionamento simples, fácil de viver e que me acalma por dentro, por mais que eu não demonstre...Eu que sempre fugi de relacionamentos, se eu soubesse que seria assim, teria antecipado nosso encontro...Enfim, tudo fica melhor, até para respirar, até para esquecer minha eterna tristeza da vida descontada no álcool. O mundo pesa menos e fica mais fácil sorrir.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Caminho



Eu queria só um abraço apertado no final do dia. Um colo confortável e consolador. Queria que as coisas voltassem a fazer sentido pra mim...Mas será que um dia fizeram? Um sorriso sem fim. Um caminho ensolarado, com canto de pássaros e a pureza do ar. Dançar conforme a música que toca na minha cabeça, sem me importar com quem está olhando. Te alcançar no final do túnel que sempre parece estar tão longe, mas tão longe, que nem parece que um dia eu vou chegar...Acontece que os dias vão ficando pequenos diante das coisas. Tanta coisa pra fazer, pra pensar, pra sentir...Respirar começou a ficar difícil. Existir também. Caminhar sozinho, com a mente cheia de pensamentos e ideias está cada vez mais difícil. Tenho que compartilhar o fardo com alguém. Mas não posso. Sei que não posso. Eu tenho que me virar sozinho, aguentando o peso ou não. Querendo desistir ou não. Ninguém deve se meter. Eu tenho que fazer o que tem que ser feito sozinho.

E eu vou caminhando, com as mãos nos bolsos, o peso nas costas e o cansaço no olhar. Sem dias ensolarados ou pássaros, mas com a certeza de que por pior que seja o caminho, um dia eu chego ao final dele. E então tudo terá valido a pena.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Cinza



Tem dia que acordamos sem a menor vontade de sair da cama. A única vontade é a de fazer nada. Ficar ali deitado olhando pro teto, tentando apagar qualquer pensamento que venha quebrando barreiras na nossa mente. O ânimo vai se enfiando debaixo das cobertas, até que pula pra debaixo da cama e ficamos sem saber o que fazer pra tirar o infeliz de lá...E a vida vai passando lá fora. Com seus sons, seus cheiros, suas cores. Batendo na porta, janela, gritando teu nome, te fazendo lembrar que ela existe e não vai parar enquanto tu não se levantar e dar atenção a ela. Ela continua passando...no fundo, tu sabes que ignorá-la será pior, pois quanto mais tu a ignora, mais ela aparece, mais te questiona, e menos tu quer discutir com ela. E tu se arrasta da cama, tenta se animar com pequenas coisas que ainda lhe fazem efeito. Como um cachorro pedindo carinho, um filme interessante ou um livro bem falado. Coisas que normalmente lhe fariam sorrir novamente. Mas que por algum motivo não causam o menor efeito de vez em quando. E tu continua querendo não sair da cama. Por nada. Por ninguém...

domingo, 24 de junho de 2012

Saudade



Saudade...saudade é uma palavra que não existe, já que quando a lemos, involuntariamente, pensamos em alguém. Saudade tem nome, e na nossa cabeça, esse nome se torna sinônimo de saudade...

Eu caminhava sozinho por essa vida por um bom tempo quando tu apareceu. Surgiu assim, meio do nada, e entrou na minha vida por culpa de uma data errada e uma brincadeira fora de hora. As noites mudaram desde então. Com minha presença abusada e meu jeito agressivo de fazer brincadeiras bobas. E tu foi caindo na minha lábia para logo depois cair nos meus braços. E foram tantas palavras, ditas, escritas, sussurradas, jogadas ao vento... E foi com a rapidez de um relâmpago que me vi preso a ti de uma maneira que há muito, mas muito tempo mesmo não tinha me visto. E deu medo, alegria, tesão, tristeza... Deu tanta coisa junto e misturado em um espaço de tempo tão pequeno que só sobrou amor. Só ficou um amor grande o suficiente para fazer eu me perder em pequenas coisas sem nem notar. E me entristece pensar que talvez tenha te perdido sem nunca ter tido tu de verdade. Me falta o chão, o ar, o norte. E o mundo parece ter ficado de cabeça para baixo, todo fodido...Bateu saudade. Dirigindo à noite, a chuva batendo no vidro, o limpador fazendo sua dança na frente dos meus olhos, Los Hermanos melodiando no rádio, e o coração apertando de saudade. O corpo ansiando por um abraço apertado e verdadeiro, um colo, um cafuné, um par de pés a mais na cama para esquentar os meus dois gelados...Voltando daquela balada com os amigos, a felicidade exposta num sorriso e muitos brindes. Festa, música, álcool e...a sua ausência. Sempre com a sensação que falta alguma coisa. A sensação de que o que passou foi melhor do que tudo o que está acontecendo no momento. Aquela sensação que o 'à dois' é melhor do que o 'em grupo'. Sentindo falta dos dois beijinhos que me dava quando vinha me cumprimentar, me fazendo ficar perdido. Da risada retumbante que anunciava sua chegada aonde quer que estivesse. Do jeito que prendia o cabelo e a cara que fazia. De ficar ouvindo ela falar das coisas com tanta prioridade. Da sua humildade apesar de tudo. Do bom humor, do carinho e da troca de sms na madrugada. PUTA QUE PARIU, eu te quero de volta. Quero voltar a esperar nossos encontros como se fosse algo sagrado. Quero de novo a paz que encontro nos teus abraços apertados e na tua mão que sempre ia direto nas minhas entradas do abdômen. Quero te beijar enquanto andamos, esquecer de olhar pra baixo e dar aquela tropeçada, nos fazendo chorar de rir. Quero brincar com a tua orelha. Quero voltar a te apresentar as bandas estranhas que eu ouço. Quero cantar no teu ouvido nossa música que não importe quanto tempo passe sempre será nossa. Quero de novo a liberdade de assuntos que sempre acabam em discussões bobas e incompatibilidade de opiniões. Quero voltar a fazer planos para o futuro sem me preocupar com quanto tempo eles vão demorar para chegar. Quero voltar a ouvir milhões de vezes ao dia que tu me amas e quanto tu me amas. Quero que seja como foi no começo, sem desânimos, sem decepções, sem esperanças partidas. Certas pessoas simplesmente deveriam permanecer pra sempre do nosso lado, mas como tudo um dia acaba, ela também se foi. E eu fiquei aqui, com o vazio, com a tristeza e com a saudade. A sensação que eu tenho é que tiraram um pedaço de mim e levaram para bem longe, onde eu não posso alcançar e eu tenho que me acostumar a viver assim, mesmo que me dê falta de ar, mesmo que eu não consiga mais me reerguer, eu tenho que continuar seguindo...Sei que não sou o único a sentir saudade. Sei que ela vai olhar o calendário, olhar aquela data tentando descobrir o que a lembra e depois de algum esforço ela vai se lembrar de mim. Vão durar alguns segundos, ela vai sentir uma leve dor de saudade no fundo do peito, respirar fundo, limpar aquela lágrima que vai surgir no canto do olho e continuar seu dia, sem mais delongas.

Saudade é assim, sorriso no rosto, e o coração apertado...

terça-feira, 19 de junho de 2012

Consequências




Me mata ver pessoas que amam por moda. 'Eu te amo' virou merda. Fui seguir esse moda e me fodi. Tô tomando esse whisky sozinho porque menti. Menti que te amo. Nunca amei, era só tesão. E tu não soube brincar. Não ouviu Cazuza em menor abandonado 'Mentiras sinceras me interessam'. Menti. Depois disso, nem eu me amo. Fui ridículo. E te perdi. Tu me mandou embora. Sem dó...Não vale a pena mentir. Agora me deparo com a solidão. Aliás, solidão não. Convivo com a minha consciência pesada em despertar o amor de uma mulher e não satisfazê-la sentimentalmente. Carnalmente não é suficiente. Mulheres precisam de satisfação visual, auditiva, olfativa e gustativa. Gurizada, onde vocês imaginam que elas abrigam as melhores lembranças? Sim, nas flores que trazemos a cada encontro, ou no sorriso ao vê-la. Naquele nosso perfume favorito. Naquela música que tocava durante a primeira noite, ou naquelas palavras que dissemos no primeiro encontro. E no principal, no gosto do nosso beijo, do nosso sexo. Enfim...A solidão nunca está sozinha, agora ela me tem. E eu a tenho. As coisas desmoronam-se à minha volta como torrões de areia, por falta de cuidado meu. O que é realmente importante mistura-se com o que é supérfluo, mas tudo rui. Sem piedade, o mundo está a julgar-me pelos meus atos, cruamente, violentamente. E eu já não consigo reagir de outra forma que não passivamente. Como o enforcado que já sente o nó a forçar a traqueia, mas insiste em olhar uma vez mais o horizonte e pensar em outra coisa. Só quero pensar em outra coisa. Ver o mundo a ruir à minha volta, mas pensar em outra coisa. Ver os gritos, ver a raiva que eu tenho de mim da mesma forma que vejo o desprezo, a indiferença, as pessoas feridas por mim, os olhos baixos. Olhar tudo com o mesmo olhar perdido em outra coisa. Não encontro força em mim para outra reação que não esta. Cansei de dançar com a solidão. Estou finalmente exausto. Cade tu? Vamos conversar...

domingo, 17 de junho de 2012

Posso?





Posso dormir contigo? Quero sentir tu perto de novo. Abre a porta que eu tô aqui fora tomando chuva. Vai, deixa eu ficar, puxa o lençol pra mim. Tu sabes que não há encaixe como o nosso. Deixa eu passar a mão no teu rosto antes de dormires. Tô com saudade do teu carinho. Posso? Sei que tu ficas toda arrepiada quando sentes minha respiração no teu ouvido. E que finges que tá dormindo só pra ver se eu, realmente, fico acordado te olhando dormir. E fico. Todo bobo. Deixarei a chave do carro ali e tô subindo, tá? Sei que tu gostas quando enfio minhas mãos no meio dos cabelos. E que ficas com os olhos pesados querendo dormir, igual criança cansada. Deixa eu olhar de novo essa tua cara de sono. Eu quero ter meu braço na tua cintura essa noite. Posso ficar? Sei que tu não tá bem. Tem tido sonhos ruins. Deixa eu te proteger durante a madrugada? Tu precisas de mim. Queres dormir com a tua mão na minha. E que o timbre da minha voz te acalma. A gente pode ver um filme antes, pode ser aquele meloso que eu dormi da outra vez. E podemos dormir ouvindo Beatles...Posso escrever um texto pra ti. Ou se preferires, podemos fazer as estrelas se esconderem de vergonha. A lua parar de brilhar. E ali, na escuridão, fazermos coisas que nem a mente consegue imaginar. Apenas me deixe dormir contigo, posso? Deixa eu te esquentar. Trançar minhas pernas nas tuas, quase dando um nó. E o melhor, acordar. Prometo estar ali do teu lado sorrindo. Te olhando com o cabelo todo bagunçado. Aquela cara inchada sem maquiagem. Te calar com um beijo ao reclamar que tá feia. Posso dormir contigo? Só essa noite, amanhã vou embora...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Fugir





Aceite viver comigo. Quero te levar pra longe. Vamos fugir da vida urbana. Prum vilarejo no Equador, onde viveremos em anacronismo. Sem internet, sem celular, sem televisão e essa porra toda. Quero que nossa casa seja esse mundão. E que quando cansássemos da vista, pegássemos nosso mochilão e saíssemos a procura de uma casa nova. No meio do mato que seja, foda-se, o que importa é que eu te tenho e tu me tens. Quero que a brisa passe e me traga o cheiro do teu cabelo ao invés de toda poluição da cidade. Que os momentos sejam compartilhados. E um sorriso gostoso valorizado. Quero que o som do meu violão e da natureza sejam mais altos que as buzinas dos carros. Que tenhas prazer em receber as flores que fui colhendo escondido pelo caminho e não por ganhar uma bolsa cara. Que nosso sexo seja no meio das árvores - minha fantasia - e em cima de montanhas. Que tenhamos pouco dinheiro e muito amor. Muito amor. Amor em cima dum cavalo ou num volvo. No caviar ou no pão com ovo. Que o nosso amor seja o mesmo em qualquer lugar...Deixa tudo arrumado e me espera. Vou te pegar na tua casa e te levar comigo pra longe. Me espera na janela porque o mundão tá esperando tu e eu. Vamos construir nossa felicidade e levar numa mochila. Vamos andar por aí com nossos pés descalços, perto de casa ou longe do mundo, onde só nós dois possamos estar. Contando histórias das quais já vivemos e prevendo situações pelas quais vamos passar. Andando de bicicleta, carona, correndo, ou quem sabe até voando... Não importa a maneira. Queremos mesmo é esquecer dos problemas, ver o tempo passar dando gargalhadas, deitar na grama com os pés apontados para o céu, trazer à lembrança as besteiras de criança, fumar cigarros de palha e nos sentir o melhor casal do mundo. Foge comigo? Pra quê dinheiro? Temos amor, temos sexo e o mundão nas nossas mãos.

O BOM DA VIDA É DE GRAÇA!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Sinestesia




Preciso de ti. Perto, longe, tanto faz. Mas quero encurtar distâncias, de longe não dá mais. Preciso te olhar. A ponto de sair à janela todos os dias às 6 pra lhe ver passar, do alto do meu prédio, assim de longe, mas o coração não liga. De perto, longe, tanto faz, só preciso ver aquele teu cabelo lindo lá de cima. Aquelas curvas todas, e confesso...te imagino nua, escalando a cama em minha direção. Te olhar de longe me satisfaz, satisfaz meu olhar. Te olhar simula a incansável busca de minha existência. Antes diria que só te olhar lá de cima é suficiente, mas quero mais...!

Preciso de ti. Preciso do teu cheiro. Teu cheiro no ar. De longe não dá. Eu cheiro a brisa, eu cheiro o ar, cheiro teu cheiro, até sinto teu cheiro vir a mim, aconchegar. Doce e suave, forte e ameno, suado e molhado. Mas sem sombra de dúvida...teu cheiro no ar. Talvez, sentir teu cheiro de perto será um erro, e agora eu só tenho medo, de te querer ainda mais.

Preciso de ti. Preciso te ouvir. Tua voz falando amorosa nos meus ouvidos. Voz tão meiga que desata o nó de qualquer coração amarrado pelas mágoas. Preciso te ouvir, nem que seja um 'bom dia' ou 'que horas são?'. Quero encontrar na tua voz melodia nunca encontrada na música. Palavras sussurradas que arrepiam meus pêlos e que entram pelos ouvidos jogando fermento no tesão, fazendo crescer, crescer e crescer. De repente silêncio, do tesão à agonia em segundos, esperando de novo ser agredido pela tua voz. Quero te ouvir!

Preciso de ti. Preciso te tocar. Queria poder te tocar, te abraçar, mas a única coisa que posso é te ver. Te ver lá de cima, do sexto andar. Querer te tocar é como entrar num museu e se deparar com uma tela, escultura, cerâmica, e enxergar o aviso 'Não tocar'. Não toco, não posso, então respeito. Mas e a vontade? Vontade de deixar minhas digitais impressas, sentir a textura e arranhar a tela com meus dedos imundos. Assim é exatamente entre tu e eu. Quando puder te tocar, teus lábios puder beijar. Há de ser uma magia louca, sentir nossos corpos unidos em calafrios, pelas mãos arteiras e atrevidas que deslizam, provocando gemidos. União de corpos, almas e bocas. Dum frenesi a ânsia louca. No chão todas as roupas. E no ápice da resistência, penetrar toda minha ardência, invadindo-te, possuindo-te. E a sede de duas almas, cada vez mais ávidas, buscará a saciedade latente, na união de dois corpos ardentes.

Preciso de ti. Preciso sentir teu gosto. Prová-lo em silêncio, como quem bebe o luar no proibido da noite. Vontade de acordar com a boca vazia, salivando desejos, querendo teu beijo e poder saciar essa vontade louca. Colar minha boca em cada parte do teu corpo e degustar lentamente, aquele gosto de entrega, mergulhar cegamente nestas tuas águas cristalinas e beber desse néctar. Quero provar teu veneno e morrer devagar!

E aí eu paro pra pensar que nunca te tive, mas que já pensei em tudo. Assim como eu nunca parei para pensar que mesmo longe, você esteve aqui o tempo todo.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Morte




Depois de ti, morri. Morri por dentro, sou carne e osso. É como se em nossa última noite, eu tivesse gozado minha alma. É como se em cada beijo, em cada troca de saliva, eu tivesse meus sentimentos, de pouco em pouco, por ti roubados. É como se naquele nosso jogo de pernas, eu tivesse perdido o chão. Ando procurando aquelas borboletas que antes habitavam meu estômago, mas só encontro sanguessugas que chupam minha lucidez. Ei, olhe aquele homem sozinho esperando o trem, viu? Sou eu, esperando por mim. Esperando por algo mais. Eu te deixei, mas quem se fodeu, fui eu!


Depois de ti, o sexo virou jogo de azar, nenhuma mulher mais me satisfaz. Há como alguém vivo dizer que 'foi vítima de necrofilia'? Pois é, sou apenas um corpo frio e sem vida em contato com outro quente e cheio de tesão, como um ferreiro que coloca sua obra prima pra esfriar, contraste. Estou com problemas, toda mulher que levo pra cama, te enxergo. Até consigo enxergar aquela tatuagem que tens no braço, teu cabelão sendo puxado pelas minhas mãos e tua boca entreaberta, anunciando o tesão. Sinto saudades...porém há um problema, o orgulho. Estou aguardando um guia que viesse e me tomasse pela mão e me levasse até tu, que de braços abertos me receberia.


Agora somos dois estranhos. Sim, um erro fatal cometido, o único! Que vem me conduzindo à lugares desconhecidos, diferentes sentimentos e sons. Amor que era especial pra mim, e que agora se tornou obsessão. Estou sozinho, ardendo de febre. Por que o quarto está tão frio? Sou eu do meu lado, e tu do teu, posso viver do teu lado e abandonar o meu.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Encontros e desencontros


É loucura pensar que existe uma -ou mais- pessoa certa pra nós pelo mundão a fora, mas que por enquanto é um completo desconhecido? Sim, é loucura. Já imaginou que tu pode estar passando ao lado do amor da tua vida todos os dias e tu nem desconfia? Já imaginou que o amor da tua vida já lhe perguntou as horas no meio da multidão? Pois é, esse é o segredo do amor, a arte do encontro.

Todos sabemos amar, nascemos com esse dom. Algumas pessoas melhor do que outras, mas todos precisamos nos aperfeiçoar nessa arte para o grande encontro. Não só na arte de amar, mas nos aperfeiçoar na arte do sexo e na arte do equilíbrio, tanto emocionalmente quanto sentimentalmente. Ou melhor falando, vivemos à deriva, num barco à vela, içado pelo vento, ora calmaria, ora tempestade...até que somos içados e postos em um fluxo que nos leva até uma ilha farta de riquezas.

E então vocês me perguntam: 'E os desencontros?'. Esse acredito ser o meu caso, não quero alguém que chegue preparada pra mim. Acredito na casualidade, nos encontros do nada e nas passagens de alguém que foi de tão importante à nada em pouco tempo...Te quero desencontrada, sem fé na vida e sem tesão. E que então, encontre em mim tudo o que procura pra ser feliz. Que encontre nas conversas que temos e nas músicas que cantamos motivos pra sorrir. Quero que chegues desconhecida e que em pouco tempo te tornes a melhor pessoa do mundo. Que compartilhemos ideias, fantasias e defeitos. Quero que tudo faça sentido, que seja proibido, mas que entre quatro paredes não exista segredos e leis. Quero matar tua sinestesia, atingir todos os teus sentidos e te dar prazer. Quero alguém para matar e morrer!

Feliz, feliz aquele que deixa de estar feliz para ser...

quarta-feira, 30 de maio de 2012

'Digam ao povo que veto'





É com essa readaptação de uma frase importante de nossa história verde-amarela que inicio esse texto. Era século XIX, por volta de 1822, a elite portuguesa receosa com o futuro do Brasil, começaram a pressionar a Constituição portuguesa com a ideia de rebaixar o Brasil novamente à colônia, que há 7 anos atrás havia se elevado à condição de Reino unido. Cedendo à pressão, Dom João VI assina um documento onde torna o cargo de príncipe regente de Dom Pedro de Alcântara, ou melhor, Dom Pedro I, inefetivo. E aí começa o ponto principal nesse acontecimento.


Não felizes com as notícias da recolonização do Brasil, formaram-se 2 partidos: o Partido brasileiro e o Partido português. Falemos somente do brasileiro, que ia contra os ideais portugueses, contra a recolonização do Brasil e defendia a permanência de nosso regente, Dom Pedro I. Eles tiveram de enfrentar os liberais portugueses e todas suas pretensões, e para isso organizaram a "Petição do Fico" que pedia ao regente que permanecesse no Brasil. Surpreendentemente conseguiram 8 mil assinaturas do povo brasileiro. E foi então que, contrariando às ordens vindas de terras portuguesas que Dom Pedro I declarou para o publico: ”Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico”. A partir daí, Dom Pedro I entrou em conflito com os interesses de Portugal que, no mesmo ano, viria a ser proclamada a Independência do Brasil, ou seja, esse episódio pôde vir a ser uma prenuncia do que viria a acontecer.


É ser ingênuo demais esperar da Dilma uma frase como: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronta! Digam ao povo que veto"? Seria fantástico ouvir isso de nossa presidente, ela nos prometeu em sua campanha, mas infelizmente, como aprendi na trilogia de Mario Puzo "O Poderoso Chefão", tu deves manter teus amigos perto de ti, e os inimigos mais perto ainda, ou explicando melhor, os inimigos não devem saber que são inimigos...e nem vê-lo como inimigo. Além do mais, manter a oposição perto permite que tu saibas o que eles estão pensando e planejando, podendo interferir em algo quando e como quiser. Porém o que seria prioridade para nossa presidente: agradar a bancada ruralista ou fazer a vontade do povo?, Veta tudo Dilmão, veta tudo!

Só que para isso, precisamos salvar nossa sociedade da alienação. Sociedade onde, em uma arrecadação de votos pra um jogo inútil chamado bbb, conseguem arrecadar nada menos que 20 milhões de votos em 1 semana, marca sensacional, não? Por outro lado, quando contamos com a massa para mostrar ao nossos governantes que não estamos mortos, conseguimos apenas 2 milhões de assinaturas em meses de arrecadação. DETALHE: 1,5 milhões de assinaturas são de estrangeiros, francamente hein Brasil de 190 milhões...Será que vocês sabem da dimensão do retrocesso se a Dilma não vetar?


Já pensaram que, uma floresta virgem, mesmo 'reconstituída', nunca mais será uma floresta virgem? Pois é gurizada, precisamos cuidar do que é nosso, de nossas jóias...ou vocês se alimentarão de lâmpadas e tablets? Nossos governantes precisam parar com esse ideia de que a solução do nosso país é tecnologia; Não, não é, a solução é educação. 


Congresso e governo, de mãos dadas, fizeram uma lei de destruição das florestas. Agora os brasileiros farão uma lei pelo desmatamento zero, por meio de um projeto de iniciativa popular para desligar as motosserras. Nos moldes da campanha da Ficha Limpa, ela precisa de 1,4 milhão de assinaturas de eleitores para chegar ao Congresso. Vamos lá gurizada, vamos agir?!

Adotem nossa campanha e saibam mais em: http://www.ligadasflorestas.org.br/users/91444






#VETATUDODILMAVEZ






segunda-feira, 28 de maio de 2012

Prazer


É naquele jogo de pernas que eu me sinto à vontade. É aquela carnificina e miscelânea de sentimentos que me faz ninfomaníaco. Minha cama é a tua e meu cobertor era você. Passo noites em claro a desejar amarrotar o lençol da tua cama novamente, como se não houvesse amanhã, nem depois, depois e depois...desejando lá de baixo, olhar pra tua cara de dominada e subir até chegar na tua boca. Passo noites em claro a desejar que tu venhas e vire minha vida de pernas pro ar, que tu me uses para o que bem entender; Que uses minha boca pra calar a tua. Que uses minha alma pra completar a tua. Que uses meu tesão pra somar com o teu. Que uses meu corpo pra satisfazer a tua vontade. Que uses o teu sexo pra me fazer de escravo. Que uses teus seios pra me seduzir. Que uses o teu olhar pra me devorar. Suga minha alma, mastiga e, se sobrar, cuspa. Me faça de otário, babaca, capacho e trouxa...Acaba comigo enquanto lhe dou oportunidade, porque, aaaaah, quando eu te pegar...


coitada.