Consequências
Me mata ver
pessoas que amam por moda. 'Eu te amo' virou merda. Fui seguir esse moda e me
fodi. Tô tomando esse whisky sozinho porque menti. Menti que te amo. Nunca
amei, era só tesão. E tu não soube brincar. Não ouviu Cazuza em menor
abandonado 'Mentiras sinceras me interessam'. Menti. Depois disso, nem eu me
amo. Fui ridículo. E te perdi. Tu me mandou embora. Sem dó...Não vale a pena
mentir. Agora me deparo com a solidão. Aliás, solidão não. Convivo com a minha
consciência pesada em despertar o amor de uma mulher e não satisfazê-la
sentimentalmente. Carnalmente não é suficiente. Mulheres precisam de satisfação
visual, auditiva, olfativa e gustativa. Gurizada, onde vocês imaginam que elas
abrigam as melhores lembranças? Sim, nas flores que trazemos a cada encontro,
ou no sorriso ao vê-la. Naquele nosso perfume favorito. Naquela música que
tocava durante a primeira noite, ou naquelas palavras que dissemos no primeiro
encontro. E no principal, no gosto do nosso beijo, do nosso sexo. Enfim...A
solidão nunca está sozinha, agora ela me tem. E eu a tenho. As coisas
desmoronam-se à minha volta como torrões de areia, por falta de cuidado meu. O
que é realmente importante mistura-se com o que é supérfluo, mas tudo rui. Sem
piedade, o mundo está a julgar-me pelos meus atos, cruamente, violentamente. E
eu já não consigo reagir de outra forma que não passivamente. Como o enforcado
que já sente o nó a forçar a traqueia, mas insiste em olhar uma vez mais o
horizonte e pensar em outra coisa. Só quero pensar em outra coisa. Ver o mundo
a ruir à minha volta, mas pensar em outra coisa. Ver os gritos, ver a raiva que
eu tenho de mim da mesma forma que vejo o desprezo, a indiferença, as pessoas
feridas por mim, os olhos baixos. Olhar tudo com o mesmo olhar perdido em outra
coisa. Não encontro força em mim para outra reação que não esta. Cansei de
dançar com a solidão. Estou finalmente exausto. Cade tu? Vamos conversar...

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