domingo, 24 de junho de 2012

Saudade



Saudade...saudade é uma palavra que não existe, já que quando a lemos, involuntariamente, pensamos em alguém. Saudade tem nome, e na nossa cabeça, esse nome se torna sinônimo de saudade...

Eu caminhava sozinho por essa vida por um bom tempo quando tu apareceu. Surgiu assim, meio do nada, e entrou na minha vida por culpa de uma data errada e uma brincadeira fora de hora. As noites mudaram desde então. Com minha presença abusada e meu jeito agressivo de fazer brincadeiras bobas. E tu foi caindo na minha lábia para logo depois cair nos meus braços. E foram tantas palavras, ditas, escritas, sussurradas, jogadas ao vento... E foi com a rapidez de um relâmpago que me vi preso a ti de uma maneira que há muito, mas muito tempo mesmo não tinha me visto. E deu medo, alegria, tesão, tristeza... Deu tanta coisa junto e misturado em um espaço de tempo tão pequeno que só sobrou amor. Só ficou um amor grande o suficiente para fazer eu me perder em pequenas coisas sem nem notar. E me entristece pensar que talvez tenha te perdido sem nunca ter tido tu de verdade. Me falta o chão, o ar, o norte. E o mundo parece ter ficado de cabeça para baixo, todo fodido...Bateu saudade. Dirigindo à noite, a chuva batendo no vidro, o limpador fazendo sua dança na frente dos meus olhos, Los Hermanos melodiando no rádio, e o coração apertando de saudade. O corpo ansiando por um abraço apertado e verdadeiro, um colo, um cafuné, um par de pés a mais na cama para esquentar os meus dois gelados...Voltando daquela balada com os amigos, a felicidade exposta num sorriso e muitos brindes. Festa, música, álcool e...a sua ausência. Sempre com a sensação que falta alguma coisa. A sensação de que o que passou foi melhor do que tudo o que está acontecendo no momento. Aquela sensação que o 'à dois' é melhor do que o 'em grupo'. Sentindo falta dos dois beijinhos que me dava quando vinha me cumprimentar, me fazendo ficar perdido. Da risada retumbante que anunciava sua chegada aonde quer que estivesse. Do jeito que prendia o cabelo e a cara que fazia. De ficar ouvindo ela falar das coisas com tanta prioridade. Da sua humildade apesar de tudo. Do bom humor, do carinho e da troca de sms na madrugada. PUTA QUE PARIU, eu te quero de volta. Quero voltar a esperar nossos encontros como se fosse algo sagrado. Quero de novo a paz que encontro nos teus abraços apertados e na tua mão que sempre ia direto nas minhas entradas do abdômen. Quero te beijar enquanto andamos, esquecer de olhar pra baixo e dar aquela tropeçada, nos fazendo chorar de rir. Quero brincar com a tua orelha. Quero voltar a te apresentar as bandas estranhas que eu ouço. Quero cantar no teu ouvido nossa música que não importe quanto tempo passe sempre será nossa. Quero de novo a liberdade de assuntos que sempre acabam em discussões bobas e incompatibilidade de opiniões. Quero voltar a fazer planos para o futuro sem me preocupar com quanto tempo eles vão demorar para chegar. Quero voltar a ouvir milhões de vezes ao dia que tu me amas e quanto tu me amas. Quero que seja como foi no começo, sem desânimos, sem decepções, sem esperanças partidas. Certas pessoas simplesmente deveriam permanecer pra sempre do nosso lado, mas como tudo um dia acaba, ela também se foi. E eu fiquei aqui, com o vazio, com a tristeza e com a saudade. A sensação que eu tenho é que tiraram um pedaço de mim e levaram para bem longe, onde eu não posso alcançar e eu tenho que me acostumar a viver assim, mesmo que me dê falta de ar, mesmo que eu não consiga mais me reerguer, eu tenho que continuar seguindo...Sei que não sou o único a sentir saudade. Sei que ela vai olhar o calendário, olhar aquela data tentando descobrir o que a lembra e depois de algum esforço ela vai se lembrar de mim. Vão durar alguns segundos, ela vai sentir uma leve dor de saudade no fundo do peito, respirar fundo, limpar aquela lágrima que vai surgir no canto do olho e continuar seu dia, sem mais delongas.

Saudade é assim, sorriso no rosto, e o coração apertado...

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